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Como venci a bulimia com a Dieta Flexível. Parte 01.

Como atleta há 7 anos e Professora de Educação física há 4, sempre estive inserida no meio do esporte e, consequentemente, no estilo de vida fitness. Onde o correto é comer frango, brócolis e batata doce. Tem quem goste? TEM! Tem quem não sofra como eu? TEM! E eu gostei por muito tempo, mas após algumas preparações com dietas muito restritivas, eu, infelizmente, desenvolvi um transtorno alimentar muito comum e pouco comentado: a bulimia.

Segundo o DSM IV, a bulimia é definida como um transtorno alimentar em que a pessoa ingere recorrentemente uma quantidade grande de alimentos (binge -eating ou o comer compulsivo), sendo acompanhado por um sentimento de culpa ou falta de controle e comportamento compensatórios, como vômitos auto-induzidos, uso de laxantes, diuréticos, jejum, exercícios vigorosos.  

Enfim, o que percebi com o passar dos anos estudando nutrição, foi que eu não era a única. Muitas pessoas não se adaptam tão bem  â dieta restritiva, abandonando-a rapidamente ou também desenvolvendo algum tipo de transtorno alimentar. Por isso, decidi fazer o meu Trabalho de Conclusão de Curso (A influências de dietas restritivas nos diversos Trantornos Alimentares em mulheres) com o objetivo de aprofundar meu conhecimento e ajudar outras pessoas. Durante a confecção do trabalho, encontrei muitos estudos mostrando uma forte relação entre a dietas restritivas,  compulsão alimentar e sentimentos ruins como culpa e depressão. Esse ciclo é MUITO normal.

O pensamento pode ser simplificado (bem simplificado, porque o que acontece no nosso corpo é muito mais complexo que isso) assim: "não posso comer esse alimento, quando como esse alimento tenho vontade de comer como se fosse a ultima vez, porque ele é proibido e não sei quando poderei comê-lo de novo". O que tem de errado nesse pensamento? TUDO! Estamos indo contra o nosso corpo, contra a nossa fome, nosso prazer, nossa cultura alimentar e nossa rotina. Quando eu vivia de dietas restritivas eu vivia com fome e com vontade de comer todos os alimentos que eu não podia. O que, obviamente, uma vez aconteceu. O que eu fiz? Me matei de culpa e enfiei o dedo na goela. Passou? Não...piorou! E o que eu fiz? Comi de novo, sem nem sentir o gosto, até não conseguir respirar  de tão cheia. E depois? Coloquei o dedo  na goela. Mais uma vez, a culpa continuou e  veio acompanhada de uma depressão. Isso foi se tornando um hábito e comer já não era mais prazeroso. Eu comia escondida, no carro, no quarto, chorando. Desenvolvi meus próprios métodos de purgação pesquisando na internet. Não queria mais encontrar  ninguém, me afastei de muitas pessoas e passava o dia pensando em comer e em como eu iria vomitar.

Então, se eu ia em algum aniversário, eu comia, ficava brava comigo mesma e só queria ir embora vomitar. Quantos momentos eu perdi....Meu desejo em treinar sumiu, eu me escondia atrás de casacos enormes e evitava as pessoas que eu amava porque estava me achando "gorda", "inchada". Desmarquei muitos compromissos essa época. Eu simplesmente não enxergava o quanto isso fazia mal para as pessoas que eu amava e para mim. Eu só queria sumir.

Felizmente, minha família percebeu e em algumas conversas decidimos que o ideal seria fazer um tratamento. Nesse momento, tudo parecia conspirar para a minha melhora: Rodrigo também reapareceu na minha vida e foi uma das bases juntamente com a minha família. Fiz um tratamento com remédios, psicóloga e psiquiatra. Finalmente, hoje posso dizer que me sinto curada. Graças a Deus eu encontrei uma forma de viver em paz com os alimentos. A Dieta Flexível me mostrou que nada é proibido, que a moderação é a chave para uma dieta consistente e uma vida mais leve. 

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